quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Civismo, Cidadania, na nossa terra precisam-se

Sabemos que alguém (acho que com muita falta de gosto estético e semântico) mudou o nome de Anha para Vila Nova de Anha. Para significar que uma povoação suba à categoria de vila não é necessário inserir explicitamente "vila" no nome.
Acresce (e isto é ainda mais importante) que não basta mudar os nomes às coisas, neste caso caso ostentar o epíteto de vila, mas essencialmente deve fazer-se jus ao nome... e, por isso, as diversas autarquias nada têm feito de substancial e a população delas não tem exigido melhor.
Um exemplo flagrante do que está muito mal, fica mal a uma população que se vangloria do seu ascendente hierárquico relativamente à aldeia de antanho, é o que se nos apresenta na Avenida da Estrada Real, uma ampla avenida após cedência de terreno do Paço d'Anha, com recuo do respectivo muro, mas que mesmo assim continua sem passeios para os peões. É deveras impressionante. O que se verifica é que os moradores locais se assenhoraram do terreno "sobrante" implementando jardinzinhos que em nada beneficiam a comunidade.
Na prática, os peões têm que circular pelo meio da avenida/estrada, literalmente pelo meio, uma vez que além de terem roubado (...) o espaço que deveria ser de passeio, ainda por cima utilizam parte da faixa de rodagem para estacionar viaturas, empurrando mesmo os peões para o eixo da via!...
Isto não é decente, não é civilizado e é um atropelo aos direitos de todos os cidadãos peões, sejam eles de Anha ou de qualquer parte do País ou do mundo.
Que fazem as sucessivas juntas de Anha?... que faz a Oposição?... que fazem os anhenses?... Não denunciam uma aberração destas e não exigem o cumprimento da Lei?...
Ser cidade, ser vila, ser aldeia... o nome é pouco importante. O que é mesmo importante é o progresso, o verdadeiro progresso, não o que escraviza e dimunui a pessoa humana mas o que lhe proporciona segurança, harmonia e qualidade de vida.

sábado, 6 de junho de 2009

A Estrada Romana... que é feito dela?




Fartei-me de caminhar... ao longo de vários anos, por um pedaço de estrada que me disseram ser romana. Estudava em Viana, primeiro na Frei Bartolomeu dos Mártires (ciclo preparatório) e mais tarde na Escola Industrial e Comercial de Viana do Castelo (secundário) e durante a maior parte desse tempo fiz o trajecto a pé entre casa e esses estabelecimentos de ensino de saudosa memória.

Por vezes a caminhada era mesmo nocturna, sobretudo na ida para a cidade, e atravessava o Faro quase às apalpadelas (dos pés, claro... rs) iluminado quando necessário por uma lanterna ou um pneu de bicicleta a fazer de tocha.

De qualquer modo, sobretudo com a generosidade solar, habituei-me a contemplar as lajes, os pedaços de pedra e até passeios e condutas de água que compunham a designada via romana. Tal era mais perceptível entre a primeira descida acentuada, logo a seguir às alminhas (onde actualmente inventaram uma curva de que nem o Diabo se lembraria no auge das suas deambulações arquitectónicas) e a curva mais abaixo, onde actualmente se encontra um entroncamento que dá acesso à Escola Carteado Mena.

Confesso que as pedras, sobretudo as que lendária ou historicamente se associam a eventos destacáveis, sempre me fascinaram, como se o mero facto de lhes tocar a textura musgosa, rugosa ou simplesmente fria ou poeirenta me pusesse em contacto molecular ou energético com o passado aludido. Mas de tanto as ver, de tanto as sentir, quotidianamente, habituei-me também as desvalorizá-las...

Até que um dia, fiquei estupefacto!... a estrada romana tinha desaparecido, retiraram-na de lá... ou, pior ainda, afogaram-na em alcatrão (!)... E já lá vão uns anos que assim continua. Sempre que passo por lá me lembro delas e delas sinto saudades.

Na realidade não desapareceram completamente, julgo eu. Há um pequeno troço, paralelo àquela estúpida curva, que se mantém abandonado, em todos os sentidos, inclusivamente do alcatrão, onde ainda se podem ver algumas dessas antigas pedras, embora muito mal conservadas.

Este é um fenómeno muito estranho, sobretudo em Portugal, o de desvalorizar o passado, a museologia, arqueologia e antropologia, não entendendo que, ao estarmos inseridos numa sociedade, só podemos evoluir para o futuro respeitando e preservando cientificamente o passado.

domingo, 30 de setembro de 2007

Ab Origine


Nasci na freguesia de Anha... foi lá que me habituei a sentir o sol e a compreender a textura dos musgos. Ali, num espaço relativamente curto, tinha o monte, o campo, o mar, e os tons cinzentos destas cores.
Era uma aldeia grande, com muitos lugares e duas paróquias, disposta em três grandes pedaços... S.Tiago d'Anha, S.Sebastião de Chafé e Amorosa. Lembro-me que nestes três pedaços, uns mais grandes que os outros, pela ordem decrescente descrita, havia três locais de culto correspondentes. S.Tiago tinha uma Igreja, e um Prior com modos de ditador. S.Sebastião tinha uma Capela, e um Reitor que também queria ser Prior. E da Amorosa não me lembro bem se tinha algum pastor próprio, mas sei que tinha uma capela, de onde se via o Mar.
Um dia, depois de muitas chatices, tudo isto se modificaria, sem se modificar. A grande Freguesia de Anha, constituída por duas Paróquias, passaria a chamar-se Vila (Vila Nova de Anha), constituída por duas Freguesias (Anha e Chafé). E Amorosa lá está, igual, antes dependente da macrocefalia anhense, agora o mesmo da chafeense. Quanto ao Mar, esse continua a espumar-se nas rochas, a escorrer preguiçoso ou bruto pelas areias indiferente à ambição dos homens...